quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pés descalços


Pulou da cama com o despertador berrando-lhe os ouvidos. Tomou um gole de café amargo e lembrou de pegar as botinas. Ele sabia que com aqueletempo não podia dar bobeira. Ao abrir o portão, percebeu que as botinas não deveriam estar na sacola, e sim nos pés. Não se espantou porque já era de casa todo aqule aquaceiro. Deu de ombros e seguiu viagem, que era bem longa por sinal. Três ônibus, uns dez empurrões, dois palavrões e uma ruga na testa. Chegou. Descansou as botinas molhadas no canto da porta e disse até logo. Vestiu o brilhante uniforne azul e saiu em direção à cobertura. Pausa para o almoço. O estômago havia roncado há duas horas e agora parecia oco como um coco velho largado na praia. Subiu de novo. A sirene tocou avisando que daqui a dez minutos a condução ia passar. Correu. Subiu. Desceu. A rua estava fechada. A rua não era mais rua. Estava ilhada. Nem parecia aquela rua que ele havia dada tchau pela manhã. Olhou para os pés molhados e lembrou das belas botinas descansando no canto da porta. Deu de ombros. Andou por longos vinte minutos. Tentou andar. A ruga na testa mostrava o esforço. A chuva caía feito pedras do céu. A rua era rio a cada segundo passado. Os pés eram folhas secas que se desfazem ao tocar a água. Chegou em casa. Que casa? Chegou tarde para salvar o pouco de tudo que lhe restava. Uma lágrima grossa caiu dos olhos e se confundiu com a grossa chuva que caía dos olhos do céu. Pensou em sentar. Não tinha chão. Esfregou os olhos na ilusão de ver tudo mudado de novo. Que nada. Aquilo era a realidade que ja tinha lhe invadido a casa. Olhou para todos os lados de sua rua, de seu rio. Tudo era só água. Nem vizinho ali dava as caras. Alcançou portão e a água lhe alcançou o peito. E foi então que pensou no que de fato poderia ser feito.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Fênix

Mais uma vez tudo retorna ao normal, na verdade sai do normal para voltar a se encontrar por aqui. O tempo anda um tanto quanto nublado e as ideias ainda se confundem com teorias, sonhos e buscas. As verdades começam a ser ditas, os pensamentos fogem do controle e saltam da boca como se fossem livres. Aquele sentimento bom de estar vivo, vivo e indignado. Porque a indignação nada mais é do que o sinal de que ainda não se vive no mundo do "tanto faz", sinal de que as utopias ainda podem ser construídas, sinal de que há um jeito de ser diferente (melhor!). O que tenho de maior virtude, pelo menos quero acreditar que tenho, é a capacidade de me incomodar.
Prova disso é que voltamos para cá: basta de cinzas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Par ti da


Partiu sem dizer adeus, sem dizer "me esqueça". Foi embora sem olhar uma ultima vez em meus olhos, sem dar aquele último abraço. Saiu e não olhou para trás. Não hesitou. Não tentou mudar. Quis sumir e assim o fez. Deixou de lado todas as promessas e todos os sonhos. Fez de tudo para equece-los. Não respondia mais, não atendia, não dava uma chance se quer. Pediu e depois implorou: "precisa ser assim". Não quis me tocar, nem ao menos me ver. Desejou que não estivesse ali; seria tão mais fácil. Ignorou o quanto pode, fechou os olhos. Deixou escapar um sorriso; lembrou de como tudo costumava ser. Por um instante tudo voltou: os planos, os sonhos, as loucuras e os desejos. Passou! O sentimento que não era raiva, tampouco amor voltou. Mais forte, mais doentio.
"Me esqueça, que eu te esqueço"
Deixe-me aonde estou.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Outro!

O Rick - http://www.verdadesforjadas.blogspot.com/ - me presenteou com um selo bem legal!
Obrigada, gostei muito ;)

Como sempre existem algumas regrinhas:


I) blogs indicados:

1. http://ponderamentosmeus.blogspot.com/

2. http://alwaysintenseme.blogspot.com/

3. http://pedacodeimperfeicao.blogspot.com/

4. http://claukeit.blogspot.com/


II) cinco coisas que mexem com os meus sentidos:

1. natureza
2. aventura
3. amigos
4. música
5. amor


É isso, em breve mais textos ;D

sexta-feira, 31 de julho de 2009

De volta ao que não existia


De volta ao bom e velho costume de "monologar". Tantas coisas para serem ditas e ao mesmo tempo a grande dúvida: "para quem?". Concluo que escrevo para mim, não pra você. Bem, mas é você quem lê (?) ou será que finge? e assim seguimos fingindo o tempo todo. O que importa mesmo é que finalmente as coisas estão bem, a cabeça, os dedos e o teclado. A brisa continua fresca lá fora, mas as minha ideias mudaram - junto com minha consciência. De agora em diante não serei o que fui, serei o que sempre desejei. As novidades atropelam os dedos cansados de procurar pelas letras; atropela o raciocínio. Que bom, penso comigo. É sinal de que os ventos são outros e os outros são eles. Há pouco contei a você que tenho medo; medo de fechar os olhos, agarrar sua mão e sair pelo mundo como desejamos. Não digo que o perdi , mas sei que ele já não é forte como antes, anda meio cansado dessa vida, dizem. Também sei que você está ai fora, pronto para me ver crescer e pular... só está faltando mesmo o impulso, não é?


Bem, mas isso eu estou praticando nas aulas de natação!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Moldura


Gosto de janelas. Redondas, quadradas. Abertas e fechadas. Inclinadas ou retas. Pretas, brancas e coloridas. Apenas gosto delas. Principalmente das abertas, aquelas que me mostram o mundo sem medo; expõem as belezas e as tristezas, os mais belos cantos e os mais sombrios. Mostram os sorrisos e as lágrimas. Simplesmente me fazem enxergar. Atrevo-me a dizer que prefiro a companhia das janelas à companhia de pessoas. Elas não metem, não falam, não me irritam. Já essas outras: me doem só de pensar. Corro para não me encontrar com elas; atravesso a rua; ultrapasso o sinal vermelho; me desespero; finjo cegueira. Mas nem sempre a fuga funciona. Há dias em que elas cismam em cruzar meu caminho. Eu finjo de novo; finjo interesse. Disfarço meu tédio com um sorrisinho amarelo, um aperto de mão, um comentário sobre o tempo. Volto para casa tentando me livrar daquela irritação. Procuro minha melhor amiga. Aquela companheira que não fala, não grita. Apenas me olha e me entende. Bem, quando quer. Ela busca meu mais íntimo ser; tenta de todos os modos me mostrar o que eu não quero ver. Acho até que ela quer me mudar. Mas não penso em ficar contra ela. O que seria de mim sem aquela companhia?
Os dias em claro passariam como anos, as noites solitárias não me deixariam em paz, os gatos brigando pareceriam fantasmas procurando um novo lar. Eu estaria indefeso, sem apoio e sem rumo. Tudo estaria em falta, até o que não conheço: a felicidade. Não a entendo; não a sinto. Sei que existe porque já ouvi falar. Onde a encontro? No mundo lá fora? Com as pessoas que não suporto? Não pode ser; minha felicidade é aqui dentro. Longe de tudo e de todos. Longe das regras, dos gritos e da desordem. Sozinho; em paz. Sem ninguém para me dizer o que fazer e quando. Será mesmo? Por vezes me sinto solitário; não me basto. Mas sabendo do esforço que seria necessário para sair do casulo, prefiro ficar por aqui. Sei que é o medo da decepção que me mantém preso, enclausurado. Ou seria o medo da involuntária metamorfose? Aquela que vem para destruir o que sou e o que fui; ela pode até me fazer gostar dos outros. Mas não quero. No fundo, gosto das coisas como estão. Uma voz é o quanto basta.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mais um!

Bem, eu disse há pouco que o primeiro é sempre inesquecível - mas todos serão! ;)

Agradeço ao Tchezar do blog http://ponderamentosmeus.blogspot.com/ que me indicou ao selo "Olha que blog maneiro". Fiquei super contente, e como ele mesmo disse: isso é muito motivador. Oh, e como! Então: obrigada, de novo!

Agora eu devo indicar os blogs de minha preferência e os indicados deverão fazer o mesmo!

Devo dizer que o http://ponderamentosmeus.blogspot.com/ com certeza estaria em minha lista, mas como foi ele que me indicou... Enfim, aqui vão alguns:

http://alwaysintenseme.blogspot.com/

http://dull-flame.blogspot.com/

http://colica-mental.blogspot.com/

http://www.bsproducao.blogspot.com/

Estranho: depois de uma semana sem ficar perambulando por entre blogs, senti dificuldade em fazer essa lista...

É, penso ser isso.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O problema todo é amar demais


Corri para atender o telefone. Minhas pernas tremiam e meu coração palpitava. Minha cabeça sabia que eu não devia, mas eu não me importava. Eu não queria me importar. Eu apenas precisava ouvir aquela voz para dormir em paz. Para dormir amada. Querida. Olá, quem é? Não era quem eu esperava. Na verdade não era pessoa alguma, era engano. Nessas horas essas coisas sempre acontecem. Não desanimei, voltei para meus afazeres. Confiante. Dessa vez, o telefone estava ao meu lado. Eram menos de dez centímetros de distância entre mim e ele. Não adiantou. Ele nem sequer tocou; gemeu; gritou. Permanecemos a noite toda em silêncio. Sozinhos. À espera. Eu sei que ele desejava aquela ligação tanto quanto eu. Ele também precisava dele. Aquele era um dia especial e, definitivamente, nós queríamos nos sentir especiais. Não consegui dormir. Tampouco levantar-me. Falei para meu companheiro que as coisas já não estavam como antes. Expliquei que isso acontece: o sentimento diminui, o desejo também. É triste, mas acontece. Ele não conseguia entender. Não queria. Passaram-se dias. Houve ligações. Rápidas. Frias. Distantes. Indiferentes. Um dia acordamos cansados. Cansados de esperar. Cansados de desejar. E foi quando tudo aconteceu: a ligação, o carinho, o afeto. Mas ele estava cansado e eu também. Foram longas esperas, longas noites acordados, longos dias solitários. Ele havia se cansado e eu também. Dizem que o amor nunca se cansa. Mas ele cansou. Cansou de tudo. Cansou de mim. Cansou dele.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O primeiro é sempre inesquecível!

É com muita alegria que eu anuncio: Tchezar - http://ponderamentosmeus.blogspot.com/ e http://televisaoparacachorro.blogspot.com/ - presenteou-me com um selo! Fiquei muito contente e surpresa. Obrigada ;)




Aqui vão as regras do jogo:
  1. A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.
  2. É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas e é necessário que a pessoa explique as regras do jogo.
  3. Ao finalizar, devemos convidar oito parceiros de blogs.
  4. Deixar um comentário para quem nos convidou.
Meus desejos:
  1. Fazer um bem maior;
  2. Aprender a tocar violino;
  3. Viajar pelo mundo;
  4. Ser uma grande jornalista;
  5. Escrever um livro;
  6. Aprender muitos idiomas;
  7. Ter uma grande ideia;
  8. Deixar uma marca.

Lista de blogs indicados:

Divirtam-se!


terça-feira, 5 de maio de 2009

Insônia


Noite passada, não consegui dormir. Fiquei pensando em minha língua. É perturbador quando se começa a imaginar que ela está dentro da boca, sem se mexer e sem fazer coisa alguma. Parei e comecei a prestar atenção nela, é enlouquecedora a sensação de pausa. Ela deve ficar encostada nos dentes superiores ou inferiores? Posso ficar movimentando-a? Essas indagações duraram longos minutos. Tentei imaginar como seria não ter uma língua ou ter mais de uma. Por várias vezes passei minha língua no céu da boca. Tive calafrios. Senti cócegas. Isso se assemelha ao arrepio causado por um beijo ardente na nuca: dá vontade de se contorcer toda. Repeti o movimento várias vezes. Eu gostava daquela sensação. Fui mais adiante e pensei nas possibilidades que a língua proporciona. Ela é tão sensível. Ela nos faz sensível. Ela me faz sensível. Tornei a passá-la no céu da boca, depois experimentei a sensação de passá-la nos dentes. Era boa, mas não superava a primeira. Sentir as nervuras do céu da boca era quase que surreal. Ela desfilou por horas em minha boca, sentiu cada textura e cada sabor. Viu-se entre os dentes, mas preferiu a companhia do céu. Sim, ele o senhor de tudo. O senhor das sensações mais estranhas e prazerosas. Dos desejos mais intensos e perigosos. Das noites mais sensuais e solitárias. O devaneio permaneceu pela madrugada a fio e, à medida que as horas passavam, ele se tornava cada vez mais profundo e saboroso.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Envelhecendo aos dezenove anos



É impressionante como parece que algumas coisas só atingem a mim. Choro de nervoso porque não sei o que fazer. Sinto vontade de me descabelar, gritar. Ai! Eu não quero me irritar, mas acaba sendo inevitável. Será que só eu me preocupo com o tempo perdido nisso tudo? Como não pensar que a vida está passando, que as oportunidades estão chegando?! Não quero perder meu tempo com besteiras; com chateações; com pessoas fúteis que cismam em cruzar meu caminho; com conversas vazias sobre pessoas vazias... Chega! Não quero fazer parte de um grupo de pessoas que tentam se encaixar a todo momento. De que vale ser aceito? De que vale ser falso e conquistar a 'amizade' de todos? Já dizia minha avó: "antes só que mal acompanhado".
É estranho, ao mesmo tempo em que eu não entendo o porquê de tanta preocupação, eu sinto que há um motivo. Tem que existir. Pode ser algo mais forte e incompreensível ou algo trágico que não vale à pena ser desvendado, mas no fundo ele existe. Embora muitas vezes eu tenha me sentido deslocada e fora do contexto, eu sempre soube quem eu era e porque eu estava sentindo ou pensando determinada coisa. Não preciso concordar com você para que possamos viver em paz. E mesmo que precisasse, eu preferiria não viver em paz.
Gosto da discórdia. Ela me mantém viva.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Um tanto quanto blasé


Mais um feriado. Muita coisa para fazer e ao mesmo tempo nenhuma vontade para isso. Já pensei em tirar o pijama ir até a praia, já pensei em levar minha cachorrinha pra passear, já pensei em ler um livro, já pensei em ouvir uma música, já pensei em assistir a um filme... No entanto, nada saiu do mundo das ideias. Foram simples hesitações; simples "que tal fazer isso?" É como se uma força maior me puxasse para junto do colchão. Sinto que fui agarrada por algo que não me deixa levantar. Tento lutar contra isso, mas sinto-me imponente contra ele ou será ela? Não sei mais de onde tirar forças, não sei em que me prender, talvez em mim mesma? Oras, não sei. Não me canso de procurar as respostas, mas as perguntas nunca cessam não importa o meu esforço. E se um dia eu me cansar?

Preciso me livrar desse tédio, dessa monotonia, desse marasmo...

Não consigo, não quero, não me importo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Nada além de mim

Hoje acordei sem vontade: de respirar, de abrir os olhos, de levantar, de tomar café, de sair de casa, de encontrar alguém.
Meu maior desejo era permanecer em casa; comigo.
Ouvir minha respiração, meus pensamentos, meus sonhos, meus medos e meus passos.
Sorrir para espelho e achar graça.
Olhar ao redor e contemplar o vazio.
.
.
.
Nada além de mim e meus sentimentos.


segunda-feira, 9 de março de 2009

Viagem abstrata


Todos entraram. As portas fecharam-se e o silêncio tomou conta do recinto. Não se ouvia mais que respirações ofegantes daqueles passageiros que, por ventura, tinham corrido para alcançar o elevador. Todos estavam prontos para a viagem e olhavam fixamente para o letreiro que indicava o andar correspondente. Esperavam ansiosos para o destino final.
Havia uma criança em meio aquele mundo de gente grande; ela mantinha os olhos fixos nos rostos dos adultos que a cercavam e tentava entender o porquê do silêncio. Ninguém conversava; ninguém se mexia; ninguém sequer olhava para o lado. O pequeno observador não compreendia o que ali ocorria, para ele era algo surreal e ao mesmo tempo atordoante. A criança queria quebrar aquele silêncio enlouquecedor e saber se pelo menos alguém estava realmente vivo.
Foi então que ela começou a assobiar uma canção bem calma e de certa forma instigante. Todos olharam para o pequeno com um ar de reprovação e simplesmente o ignoraram. A viagem chegou ao seu fim e todos seguiram seu próprio caminho.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sem paciência para ser um paciente


Ir a uma consulta médica é sempre a mesma coisa: minutos e minutos de espera. São mais de três pacientes marcados para o mesmo horário e o resultado é mais do que esperado: pelo menos dois não serão atendidos na hora combinada. Já dizia o ditado que o combinado não sai caro, mas, hoje em dia, as coisas definitivamente não ocorrem dessa maneira.
Se ao menos nesses consultórios houvesse boas revistas, já seria meio caminho andado para curar o tédio de uma recepção. No entanto, a gama de revistas fúteis é assustadora: Caras, Contigo, Elle, etc. Com todo respeito ao leitores assíduos dessas "maravilhas", mas para mim não dá. Saber o que a Gisele B. vestiu na última festa é realmente algo de que meu cérebro não necessita.
Não acho que a assinatura dessas revistas sejam mais baratas que a de outras menos insuportáveis... Se bem que eu tenho uma sugestão: que tal revista em quadrinhos ou livro para colorir? Seria mais educativo e bem mais interessante!